Em vídeo, delator fala de pagamentos a Ricardo Ferraço e Luiz Paulo

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Benedicto Júnior cita pagamentos irregulares a campanhas a políticos de diversos Estados. Capixabas negam acusações.

Ricardo Ferraço nega as acusações

Em vídeo oficial disponibilizado no site do Estadão na tarde desta quarta-feira (12), o delator Benedicto Júnior, conhecido como BJ, admite em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato o repasse de R$ 400 mil de caixa dois à campanha ao Senado de Ricardo Ferraço (PSDB) em 2010.

O ex-executivo da empreiteira Odebrecht também relata repasses irregulares de R$ 500 mil a Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) nas campanhas eleitorais de 2010 (quando concorreu ao governo do Estado) e de 2012 (quando tentou voltar à Prefeitura de Vitória). Os dois capixabas negam as acusações. Ferraço afirmou que vai processar os delatores.

“Ricardo Ferraço, 2010, valor de R$ 400 mil, codinome ‘Duro’. Luiz Paulo Vellozo Lucas, 2010, valor de R$ 400 mil, e, em 2012, valor de R$ 100 mil, codinome ‘Filhote’. Procede essa lista?”, questiona a BJ o investigador, citando, numa vasta lista, políticos de diversos Estados. “Tenho ciência e são pessoas da área de operação geográfica do doutor Sérgio Neves (outro delator)”, responde BJ.

O VÍDEO

Benedicto fala de políticos capixabas a partir do 12º minuto.

Em seguida, o ex-diretor da companhia reitera mais pagamentos a outros políticos. “Consolidei o que trouxeram para levar à discussão com os outros presidentes das empresas que iam fazer a doação naquelas campanhas, as doações foram autorizadas”, declarou BJ.

Na reta final de seus oito anos de mandato no Senado, Ferraço é um dos senadores investigados na nova leva de inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin, novo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) após a morte de Teori Zavascki este ano. Em colaboração premiada com a força-tarefa da operação, Benedicto Júnior e Sérgio Neves afirmaram que Ferraço recebeu R$ 400 mil de caixa dois da Odebrecht para sua campanha em 2010, quando ainda estava no PMDB.

> Deputado alega inocência e diz que citação em delação é de homônimo

O tucano contesta a denúncia. “Nunca tratei com eles, tampouco autorizei que alguém tratasse. Portanto, eles serão por mim processados, terão que provar em juízo a quem entregaram esse dinheiro. Recebo essa denúncia com absoluta indignação e perplexidade”, frisa o parlamentar.

Segundo a delação, esse dinheiro teria abastecido a campanha do então vice-governador por meio do setor de operações estruturadas da construtora. O setor já foi chamado de “departamento da propina”. Ferraço reitera que não tinha relações com os denunciantes e diz que jamais autorizou alguém a agir em seu nome. Ele admite desgaste político com o fato, mas diz que isso se trata de “assunto secundário”, uma vez que sua prioridade é “ir às últimas consequências” para esclarecer os fatos que lhe são imputados.

INQUÉRITO FALA EM FALSIDADE IDEOLÓGICA

Ao ordenar abertura do inquérito, Fachin afirma que “relatam os colaboradores o pagamento de vantagens não contabilizadas no âmbito da campanha eleitoral de Ricardo Ferraço ao Senado, em 2010. Esclarecem que teriam sido pagos R$ 400 mil por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, sendo o beneficiário identificado no sistema ‘Drousys’ com o apelido de ‘Duro’. Sustentando o Procurador-Geral da República que a conduta descrita amolda-se, em tese, à figura típica contida no art. 350 do Código Eleitoral”. O artigo trata de de falsidade ideológica e abarca o caixa dois.

CITADO EM DELAÇÕES

Luiz Paulo, ex-prefeito de Vitória Foto: Arquivo

O ex-prefeito da Capital Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) foi citado pelos ex-executivos da Odebrecht Sérgio Luiz Neves e Benedicto da Silva Júnior e teve petição para abertura de inquérito enviada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Justiça Federal.

De acordo com os depoimentos, o tucano recebeu “vantagens indevidas” em duas campanhas. Na de 2010, quando ele foi candidato ao governo do Estado, houve pagamento “não contabilizado” de R$ 400 mil, segundo os delatores. Em 2012, quando Luiz Paulo tentou se eleger prefeito de Vitória, o repasse foi de R$ 100 mil. Nas duas transações, o dinheiro veio do “departamento de propinas” da Odebrecht e foi intermediado pelo advogado de Luiz Paulo, Luciano Ceotto, ainda segundo delatores.

Na terça-feira (11), Luiz Paulo defendeu a Lava Jato e disse que prestará os esclarecimentos que se fizerem necessários. “Confio na capacidade da Justiça brasileira em identificar corretamente dentro do processo os desonestos que merecem punição exemplar e a serem afastados definitivamente da vida pública”, disse.

 

 

Fonte: Gazeta Online