Festa de Cachoeiro homenageia Raul Sampaio

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Publicado em 24 junho, 2018 com Sem Comentários

Ele é autor de mais de 220 canções, como Meu pequeno Cachoeiro, hino oficial do município.

O grande homenageado da Festa de Cachoeiro deste ano, Raul Sampaio Cocco, possui biografia de peso na música popular brasileira. O cantor e compositor cachoeirense fez parte do Trio de Ouro, ao lado de Lourdinha Bittencort e Herivelto Martins, um dos ícones da Era de Ouro do rádio no país.
Ele é autor de mais de 220 canções, como “Meu pequeno Cachoeiro”, hino oficial do município; “Aladim”, fruto de parceira com Herivelto e interpretada pela cantora paulistana Isaurinha Garcia; “Meu pranto rolou”, gravada por Vinicius de Moraes e Toquinho; e a recente “Quero mais um samba”, escrita com Rogério Bicudo, que integra o álbum “+100”, do grupo carioca de samba Casuarina, concluído em abril. Esta faixa, aliás, tem como convidado o rapper Criolo.
A Festa de Cachoeiro é a segunda ocasião em que Raul, que está prestes a completar 90 anos de idade, recebe homenagem. Também neste semestre, seu nome intitulou o concurso de marchinhas promovido dentro da programação do carnaval da cidade, em fevereiro, pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult).
Do balneário de Marataízes, onde vive atualmente, Raul concedeu entrevista – feita via telefone – à prefeitura. Confira:

O que representa, para o senhor, ser homenageado no evento mais tradicional da cidade, a Festa de Cachoeiro, justamente às vésperas do teu aniversário?
Nunca deixei de estar ligado à cidade. Sempre fui à Festa de Cachoeiro. Provavelmente participei de 90%.  Sou um camarada que tenho raízes profundas em Cachoeiro. Minha família é de Portugal. Meu avô italiano foi um dos primeiros a abrir hotel em Cachoeiro. Era o hotel Cocco. Cachoeiro é uma cidade especial para mim. Não gostaria de ter nascido em nenhum outro lugar no mundo.

O hino “Meu Pequeno Cachoeiro” é carregado de lirismo e nostalgia confessionais, fortemente marcados em suas melodias, seus versos.  Conte-nos um pouco, por favor, como foi criá-lo.
Fiz uma música sobre a cidade que amo. Tê-la como hino foi uma surpresa grande para mim. Jamais pensei em ter hino em Cachoeiro, como jamais pensei em ter uma festa em homenagem a mim.

Além de “Meu Pequeno Cachoeiro”, o senhor também compôs os hinos dos dois principais times de futebol da cidade, o Estrela do Norte e o Cachoeiro. Como é tua relação com o esporte bretão e de que modo este vínculo influenciou no momento da composição de ambas as músicas?
Não faço nada para ser hino. Eu vivia dentro da música, dos estúdios. Acompanhava uma gravação. Peguei o pessoal do coro e gravei um disco matriz. O pessoal começou a tocar nos programas esportivos. Até que um dia disseram que transformaram no hino oficial do Estrela, que foi fundado por gente da minha família, o tio Mário Sampaio, um dos fundadores. A coisa mais bacana era a plateia cantando. Eu me sinto feliz, alegre, satisfeito.

Há muitas composições tuas gravadas por outros grandes nomes da música popular brasileira. Algumas das quais, inclusive, chegam a se pensar que são de autorias desses artistas, como é o caso de “Meu Pranto Rolou”, que Vinicius de Moraes gravou com Toquinho. Como o senhor lida com essa questão?
Eu tenho músicas gravadas por mais de 400 pessoas. Aos 90 anos, tive uma música minha inédita gravada. Criolo gravou com o Casuarina. O Casuarina gravou e chamou o rapper Criolo, para gravar uma faixa. O disco já está à disposição. O Criolo é um cara famoso. Além de Roberto Carlos, tem Alcione, Vinícius de Moraes, Toquinho, Nelson Gonçalves, Erasmo Carlos, Renato Russo, Orlando Silva, Altemar Dutra, Miltinho, Anísio Silva, Maysa, Angela Maria. Qualquer discografia vai encontrar um troço meu. Um nome que não posso esquecer é Elizeth Cardoso. Marlene, por aí afora. Não quero ser injusto, porque todos eles me ajudaram, foram importantes para mim.

Em que momento da vida o senhor decidiu se tornar compositor? E quem foram as pessoas importantes nesta etapa inicial de tua trajetória artística?
Nasce com a gente. Já nasce feito. Já nasci poeta e compositor.

Quais fatores motivaram o jovem Raul Sampaio Cocco a tentar a sorte na cidade grande?
Fui buscar emprego. Como meu pai não podia me ajudar a estudar, saí para arrumar emprego. Aí as coisas foram acontecendo. Até 1952, arrumei vários trabalhos. Herivelto Martins foi quem me levou para a rádio.

Fale um pouco sobre tua passagem no Trio de Ouro e de tua amizade com Herivelto Martins.
Ajudei ele a refazer o Trio de Ouro, após a separação dele com Dalva de Oliveira. As pessoas se encontram. Já está no destino, pode crer. Na música, fiz muita coisa. Fui solista, cantor, produtor. Depois fui ser secretário executivo em uma associação de compositores, antes da fundação do Ecad. Sou um dos que participaram da criação do Ecad, fundado por associações. Assinei o primeiro estatuto, junto com Mario Rossi, Newton Teixeira e Carlos Galhardo.

Dentre os intérpretes da atualidade, quem já gravou tuas composições? E quais destas são mais conhecidas do público?
César Menotti e Fabiano, que regravaram “A Carta”. Vamos ver se agora Criolo e Casuarina fazem sucesso com “Quero Mais um Samba”, feito em Marataízes, que gravei com quase 90 anos.

Morando hoje em Marataízes, numa vida mais discreta, o que o senhor anda fazendo? Compondo? Escrevendo? Quais são tuas atividades e projetos atuais?
Continuo escrevendo, compondo, mas não canto mais. Estou sem condições, porque meu ouvido não aceita mais. Meu violão foi para o Instituto Cultural Cravo Albin, no Rio de Janeiro, e agora está junto dos violões de Herivelto Martins e Cartola.

 

 

Fonte: Jornal O Fato

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