Morre aos 72 anos, Carlos Alberto Torres, o maior dos capitães do futebol brasileiro

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Publicado em 25 outubro, 2016 com Sem Comentários

Habilidoso, líder nato, lateral-direito, depois zagueiro, o Capita, como era carinhosamente chamado, levantou a taça do tricampeonato de 1970 pela Seleção.

01Considerada uma das maiores seleções de todos os tempos, o escrete brasileiro tricampeão mundial em 1970 está de luto com a morte de Carlos Alberto Torres, vítima de um infarto fulminante na tarde desta terça-feira, aos 72 anos. Os craques liderados pelo eterno Capita e funcionários daquela comissão técnica foram pegos de surpresa com a notícia e lamentaram a perda, considerada irreparável. Mas também recordaram momentos ao lado de um dos maiores laterais-direitos da história e deixaram um agradecimento por tudo o que ele representou para o futebol brasileiro.

PELÉ

“Fico triste com a morte do meu amigo irmão Carlos Alberto, nosso querido Capita, lembrando dos tempos que estivemos juntos no Santos, na seleção brasileira e no Cosmos, formando uma parceria vencedora. Fomos campeões no Santos, na Seleção e no Cosmos. Infelizmente a gente tem que entender isso e que a vida continua. Para a sua família mando minhas condolências”, disse o Rei em nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa.

Pele e Carlos Alberto Torres New York (Foto: Agência Reuters)Pelé ao lado de Carlos Alberto Torres em Nova York: dupla jogou no Cosmos, nos EUA (Foto: Agência Reuters)

“Estava chegando na rádio quando recebi essa notícia. Vi o Carlos Alberto domingo na televisão. Inclusive tínhamos um almoço marcado depois das eleições. Nós perdemos um companheiro, excelente profissional, da melhor qualidade e um amigo acima de tudo. Ele teve a importância de um capitão de uma seleção tricampeã do mundo. Hoje o mundo diz que foi a melhor seleção até hoje de todas as Copas. E ele era o capitão. E outra, não era capitão porque era, nós jogadores o elegemos, não foi a direção. Ele para nós tinha importância capital dentro e fora das quatro linhas. Tudo era com ele. Às vezes se tivesse alguma coisa que pudesse extrapolar, ele chamava três ou quatro para ir junto, organizava tudo. Foi capitão da Seleção, do Botafogo, Fluminense, Santos, Cosmos (EUA)… Não era um capitão como outro qualquer, na cara ou coroa. Não o chamávamos pelo nome, era de Capita. Ele era o cara. A liderança que ele tinha nunca mais vai ter, pode escrever. Do jeito que ele era, do jeito que se comportava, falava e era acreditado tanto pelos jogadores quanto pela direção, posso dizer com a maior grandeza que não vai ter”, disse, em entrevista ao “Seleção SporTV”.

“Foi uma pancada. Estou no Rio, cheguei na casa de um grupo de amigos, fizeram um almoço para mim, aí toca o telefone. Era o Adalberto chorando, perguntei o que houve. Aí ele disse que o Carlos Alberto morreu. Falei: ‘Está brincando comigo’. Vi ele no domingo no Troca de Passes super bem, no dia 4 de agosto ele foi na minha condecoração. Negócio de maluco. Foi um grande amigo, um dos melhores. De quem eu joguei, foi o de mais categoria, fino, criativo. Não só como lateral, mas depois como quarto zagueiro, líbero. Pela personalizada, doçura, facilidade de agregar, foi o capitão da era Pelé no Santos, depois veio para o Botafogo igual. Era uma figura excepcional, foi uma perda irreparável para o futebol mundial. Principalmente por essa pobreza que se tem hoje no Brasil, não há ninguém representativo. E foi muito jovem. Hoje eu tenho 67 anos e não me considero idoso, não sinto o peso da idade. Tanta gente ruim no mundo, aí Jesus Cristo vem e leva o Carlos Alberto Torres”, disse, por telefone.

Bellini com Zagallo e Carlos Alberto Torres taça da Copa do Mundo (Foto: AFP)Zagallo ao lado de Carlos Alberto Torres em evento com a taça da Copa do Mundo (Foto: AFP)

“Soube pela televisão, de repente, estava eu, minha esposa. A gente sempre se deu com a família toda dele, moramos na Vila da Penha (Rio de Janeiro), onde eles moravam. Tomamos um choque e começamos a chorar. Uma coisa muito chata, não só para amigos chegados, mas para todos que gostam de futebol (…) Quero dar meus pêsames para todos vocês, o país está colocando lágrimas, bem merecidas, que todo ser humano merece, principalmente o Carlinhos. Sempre me dei muito  bem com Carlinhos dentro e fora de campo. Dentro de campo era calmo, educado (…) Como homem pelo caráter, não tinha papas na língua, bom pai, bom marido, bom filho, bom amigo. Sempre me dei muito bem com ele, passei a morar perto dele, no Largo do Bicão, onde ele morava com os pais dele. Aí ficamos mais colados um com outro”, disse, em entrevista ao “Seleção SporTV”.

“Vai deixar muita saudade por tudo o que representou. É uma perda irreparável. Foi um líder ao lado de Pelé, Gérson… A gente não chegou na final só dentro do campo, fora também. E o Carlos Alberto colaborou muito para isso. Essa liderança vinha por ele ser bem articulado, pela postura fora de campo e também uma liderança técnica. Lembro de uma história, a gente partiu para final contra a Itália, saímos às 10h da manhã. Eu estava pela primeira vez na Seleção, com 27 anos, quando ele me viu de cara fechada, sério. Lembro bem, ele era mais alto do que eu, colocou a mão no ombro e disse: ‘Garoto, porque está tão preocupado?’. Falei: ‘É a Itália, um timaço’. Ele disse: ‘Não se preocupa. Com esse timaço que temos, a preparação que tivemos, esses baita jogadores, vamos ganhar mole'”, disse em entrevista ao “Seleção SporTV”.

Manoel Flores, Ricardo Rocha, Parreira e Carlos Alberto Torres, membros do Comitê de Reformas da CBF (Foto: Daniel Mundim)Parreira ao lado de Carlos Alberto Torres: eles foram membros do Comitê de Reformas da CBF (Foto: Daniel Mundim)

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