Policial mata bandido que tentava aplicar “saidinha de banco” em Vila Velha

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Wellington Esteves do Santos, 27 anos, foi surpreendido por um policial à paisana quando estava assaltando um homem que saía do banco

pmsss_min_eebbbba-1452728Para salvar a vida de um técnico em medicina nuclear, de 53 anos, um policial militar baleou um bandido durante uma tentativa de assalto, no Centro de Vila Velha, na tarde desta sexta-feira (15). Wellington Esteves dos Santos, de 27 anos, foi atingido por quatro tiros e morreu após dar entrada no hospital.

Dois homens aguardavam Wellington próximo ao local do crime. Um deles com uma escopeta, segundo testemunhas. Ao perceber a troca de tiros, os comparsas fugiram.

Várias pessoas passavam pela Avenida Jerônimo Monteiro quando o crime ocorreu, por volta das 13h40. Uma delas era o técnico em medicina nuclear, de 53 anos.

Ele conta que havia acabado de sair de uma agência bancária, onde fez um saque de aproximadamente R$ 3 mil. Quando atravessava a faixa de pedrestes do cruzamento com a Rua Coronel Sodré, o técnico foi abordado por um homem em uma moto CG 150 preta, que exigiu o dinheiro que ele havia sacado no banco.

“Ele me cutucou e, quando virei, me pegou pelo colarinho e apontou a arma na minha cara. Disse que queria o dinheiro do banco. Eu fiquei sem reação na hora e disse que não tinha dinheiro nenhum”, afirma a vítima.

Foto: Marcos Fernandez- NAWellington Esteves estava armado com um revólver calibre 38, que foi apreendido pela polícia após o crime

Um soldado da Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam), de 25 anos, estava de folga e passava pelo local. Segundo o policial, ao ver o assalto, ele sacou a arma e deu ordem de prisão ao bandido. “Quando eu olhei, o motociclista já estava soltando a vítima. Mas, de repente, ele voltou a sacar a arma. Nessa hora eu percebi que ele ia atirar e, para evitar que isso acontecesse, eu dei ordem de prisão e mandei ele jogar a arma no chão”, diz.

Nesse momento, Wellington se virou e disparou dois tiros em direção ao PM, que revidou com outros dois disparos, atingindo o bandido no peito.

Mesmo baleado, o criminoso ainda apontou a arma para atirar contra o soldado, que então atirou outras duas vezes. O ladrão foi levado pela PM para o Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, mas morreu após dar entrada na unidade.

O revólver 38 e R$ 153 que estavam com o assaltante foram apreendidos pela polícia. A arma .40 do soldado também foi recolhida.

Ação provocou pânico no comércio da região
Pânico e correria foram registrados durante a troca de tiros entre o PM e o assaltante, na Avenida Jerônimo Monteiro.

Segundo testemunhas, o comércio estava movimentado, e várias pessoas correram para dentro das lojas para se esconder.

“Ouvimos os tiros e vimos as pessoas correndo, desesperadas. Ficamos com tanto medo que fechamos a porta da loja até a confusão acabar”, contou uma vendedora, 33, que não quis se identificar.
“Fiquei impressionado! Na hora tive medo que algum tiro me acertasse”, contou um comerciante, 51.
Vítima crê que foi vigiada
O técnico em medicina nuclear acredita que estava sendo vigiado dentro do banco pelo próprio bandido. Isso porque, ao ser abordado, o assaltante pediu pelo dinheiro que ele havia sacado.
A vítima reclamou sobre a falta de segurança dentro da agência bancária. “Não há biombos no banco. Qualquer pessoa conseguia ver que eu estava sacando dinheiro e até mesmo a quantia. Deveria ter mais proteção para o cliente”, disse.

O técnico ainda contou que já presenciou uma saidinha de banco no mesmo local e, desde então, tinha medo de ser assaltado.

O Bradesco informou que a rede não iria se pronunciar sobre as reclamações apresentadas pelo cliente.

PM defende procedimento
O soldado da Rotam contou que utilizou o Método Giraldi, uma técnica aprendida durante o treinamento policial. Fiz conforme o treinamento. Tenho certeza de que meus colegas agiriam da mesma maneira”, disse.
O soldado atua na PM há cinco anos, e há quatro faz parte da Rotam. Recentemente, ele passou por um treinamento de tiros com duração de dois meses. “Nunca passei por este tipo de situação. Já tive que usar minha arma outras vezes, mas durante ocorrências. Essa é a primeira vez que mato alguém”, contou.
Como procedimento padrão, as circunstância dos disparos serão apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar.
Dever

“Atirei para imobilizar e não para matar” Y. Soldado da Rotam

O soldado estava de folga, caminhando pela avenida, quando percebeu a ação. Ele diz que atirou para proteger a vida da vítima e a dele. Segundo o PM, essa foi a primeira vez que ele matou alguém.

Como percebeu o assalto?
Eu estava passando pela banca de revistas quando vi o motoqueiro pegando a vítima pelo colarinho e gritando para passar o dinheiro. O homem disse que não tinha nada e, então, o bandido se virou, como se fosse desistir do assalto.

Quando decidiu interferir?
Logo depois de se afastar, o assaltante virou e sacou a arma de novo. Nesse momento, eu achei que ele fosse atirar. Para evitar que ele ferisse alguém, eu saquei minha arma e dei voz de prisão.
Por que o senhor atirou quatro vezes?
Ele se virou e atirou contra mim. Para me defender, o atingi com dois tiros. Ele deu dois passos para trás e, baleado, apontou a arma na minha direção. Como os dois tiros não foram suficientes para imobilizá-lo, disparei mais duas vezes, como manda o treinamento. A intenção nunca é matar. A vítima e a família vieram agradecer. Não fiz nada além do meu dever.

Gratidão

“Ele foi um herói, meu anjo da guarda” X. Técnico em medicina nuclear

Ainda assustado com o crime, o técnico em medicina nuclear, 53, disse que pensou que fosse morrer. Emocionado com a atitude do soldado, ele afirmou que o policial agiu como um herói.

O que o senhor estava fazendo quando foi abordado?
Eu tinha acabado de sair do banco, onde saquei mais ou menos R$ 3 mil. Eu iria até outra agência bancária, mas, no meio do caminho, quando eu atravessava a faixa, fui abordado pelo assaltante.

O que o senhor pensou na hora da abordagem?
Achei que alguém estava brincando comigo. Porque ele pegou pelo meu colarinho. Fiquei sem reação e não consegui nem tirar o dinheiro do bolso. Disse que não tinha nada.

Qual foi a sua reação ao perceber a presença do policial?
No início, achei que era outro bandido, porque só vi a arma. Mas quando ele disse que era policial, eu percebi que queria me ajudar.

O que achou da atitude dele?
Ele foi um herói, meu anjo da guarda. Esse soldado salvou a minha vida. Eu poderia ter morrido. Vou ser eternamente grato a ele.

O senhor chegou a ver outros bandidos?
Não. Mas as pessoas que estavam na rua disseram que tinham outros dois homens e que, com a troca de tiros, eles fugiram.

Pretende tomar alguma atitude a partir de agora?
Vou tomar mais cuidado ao andar na rua, e não pretendo fazer mais saques. Por um bom tempo vou ficar sem ir ao banco.