Produtores de cana do Sul do ES buscam se reerguer com apoio de cooperativa

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Publicado em 18 outubro, 2018 com Sem Comentários

Os produtores de cana-de-açúcar do Litoral Sul do Espírito Santo já comemoram os resultados da safra 2018, que se encerra neste mês de outubro. De acordo com levantamentos da Cooperativa Agrícola dos Fornecedores de Cana (Coafocana) – que tem 360 cooperados nos municípios de Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy – deverão ser colhidas cerca de 380 mil toneladas de cana na região este ano. O número é superior ao obtido em todo o período de 2014 a 2017 (304.583,75 toneladas), quando os canavieiros tiveram que enfrentar os efeitos da grave crise hídrica que assolou boa parte da região Sudeste do Brasil.

O desafio, agora, é retomar o tempo perdido. O pequeno produtor da localidade de Retiro, em Itapemirim, Edson Pinheiro Leal, 57 anos, trabalha com o plantio de cana-de-açúcar “desde que se entende por gente”. Entretanto, ficou dois anos sem fornecer para a Usina Paineiras, centenária companhia do setor de açúcar e álcool localizada em Itapemirim, que absorve cerca de 85% do cultivo de cana da região – os outros 15% vão para alambiques, agroindústrias e alimentação de gado.

“O cultivo da cana é uma tradição familiar. A estiagem desses anos foi a pior crise dos meus tempos. Eu que tenho mais de 50 anos, nunca vi igual. Em casa foi necessário ter um controle muito bom nas despesas, para não gastar nada de supérfluo, caso contrário ia faltar”, relata.

Segundo o presidente da Coafocana, Luciano Henriques, a recuperação financeira total dos produtores deverá durar de três a quatro anos. A cooperativa auxilia nesse processo, atuando na negociação de dívidas com bancos e financeiras. “A nossa equipe faz a ponte entre os bancos e os produtores. É um processo que está começando a recuperar. Tivemos gente, principalmente em Marataízes, que não plantou. Não conseguiram fazer o capital girar. Tem a área, mas não tem o recurso”, explica.

Durante o período de estiagem, a cooperativa também ajudou a viabilizar o socorro imediato. Em 2015, as prefeituras da região decretaram situação de emergência, dando a possibilidade de prorrogar o prazo das dívidas dos produtores, uma iniciativa que teve a participação da Coafocana. Ela também provocou as administrações municipais para a criação de alternativas para a volta do plantio, e a prefeitura de Itapemirim contribuiu com a compra de adubo, muda e calcário.

Também a partir de 2015, a Agropecuária Carvalho Brito (Apecarb), pertencente ao Grupo Paineiras, passou a arrendar suas terras de plantio de cana para os agricultores da região. “Vários compromissos tiveram que ser assumidos, como a contratação de novos funcionários e aquisição de máquinas agrícolas, além do compromisso de dar assistência técnica à totalidade do cultivo de cana da região, mas isso ajudou a aumentar a receita e o número de cooperados”, comenta Luciano.

“Se não fosse o incentivo firmado entre a cooperativa e as prefeituras, nós não estávamos nem aqui, pois estava tudo parado. O arrendamento dos terrenos pela Paineiras também proporcionou uma sobrevida para os produtores”, afirma Edson.

A própria Usina Paineiras, empresa criada em 1912 pelo governo estadual e adquirida em 1937 pela família Carvalho Britto, “está em um processo de saneamento de suas finanças e retomada de sua produção normal”, como afirma a diretoria da empresa. Neste ano, já foram beneficiadas mais de 550 mil toneladas, quantidade que pode chegar a 700 mil toneladas – no ano passado, foram 460 mil -, sendo metade para produção de açúcar, metade para etanol. Segundo a empresa, a meta é crescer até atingir um montante médio de 1 milhão de toneladas nos próximos anos.

História e atuação

A organização formal dos produtores de cana do Litoral Sul Capixaba, onde essa atividade econômica remonta ao século XIX, começou em 1945, com a Associação dos Plantadores de Cana do Espírito Santo, com sede em Itapemirim. A associação foi criada com a finalidade de discutir com a Usina Paineiras toda a entrada de cana-de-açúcar dos agricultores, cujo preço era então tabelado pelo Governo Federal, com cotas anuais para ambas as partes. A Coafocana surgiu em 1980 para incrementar a parte comercial da atividade, levando à associação o desenvolvimento das atividades de cunho mais propriamente sociais dos produtores, como fornecimento de auxílio médico. Hoje, as duas organizações atuam em coexistência.

A cooperativa auxilia, com apoio da Usina Paineiras, todo o processo da produção da cana, desde o plantio até o corte e entrega à usina, bem como na assessoria a planos de financiamento agrícola, dispondo, para isso, de profissionais especializados em seu quadro de funcionários. Além disso, fiscais da entidade supervisionam as análises da cana no laboratório montado na usina, uma vez que o preço de venda do produto é diretamente relacionado à sua qualidade.

A cooperativa realiza, ainda, serviços permanentes com operadores de máquina patrol, para melhoramento das condições das estradas durante toda a safra, e patrulha de combate ao fogo criminoso nas lavouras. Os cooperados também têm direito a atendimento com descontos no Centro Médico Itapemirim, uma clínica particular, bem como a plano de telefonia.

Do ganho com a venda da cana, 4% é descontado para a manutenção da Coafocana – o percentual foi definido em assembleia, de acordo com a entidade. Entretanto, os prejuízos de toda a cadeia produtiva tiveram efeito sobre a própria cooperativa. Atualmente, a maior parte do amplo prédio onde fica a sede da entidade, na avenida Cristiano Dias Lopes, no Centro de Itapemirim, está alugada para o funcionamento de repartições da prefeitura do município.

Produção alternativa

Os cultivos de abacaxi e mandioca são alternativas para que os produtores não fiquem totalmente dependentes da cana-de-açúcar na região. Grande parte dos produtores realiza o processo de rotação de culturas com cana, abacaxi e mandioca, gerando maior conservação do solo e aumentando a possibilidade de adquirir renda.

“Se não conseguem plantar a cana, migram para o abacaxi e a mandioca. Algumas áreas ficam paradas em período de descanso. É importante para fazer o equilíbrio de culturas na região”, explica o presidente da Coafocana.

Ainda assim, muitos produtores não acham vantajoso investir com maior afinco em outros tipos de cultura, devido ao baixo preço no mercado. A bicentenária tradição da cana-de-açúcar continua sendo o carro-chefe, com ou sem condições favoráveis.

“Conseguimos atravessar a seca, e alguns produtores, mesmo nesse período, conseguiram plantar. Agora estamos recuperando a produção, apesar de não totalmente, e este ano vamos ter uma produção boa. A chuva permitiu o plantio.”, comemora Luciano Henriques.

 

 

Fonte: Aqui Notícias

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