Você pensa ou pensa que pensa?

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Publicado em 08 julho, 2014 com Sem Comentários

o pensador de rodinÉ um tema tão complexo que é difícil até mesmo começar a escrever sobre. Pipoca muita coisa na cabeça e alinhar tudo isso num texto “curto” (risos), é uma tarefa que requer muita reflexão. A dificuldade está em definir quais pontos do pensamento reflexivo podem atrair o interesse do leitor, e para que, com isso, o objetivo de um texto dessa linha seja alcançado: fazer o leitor pensar. Pensar de verdade, pensar aquele pensamento que esquenta (cheira fio queimado), bagunçar a cabeça na tempestade e esperar que as ideias se encaixem na calmaria.

A ação de pensar me parece que está um pouco abandonada. Tudo vem muito pronto, quase acabado. Tudo está ao alcance do mouse, do dedo. Parece que não precisamos mais pensar, e deram até nome a esse fenômeno, que segundo Francilene Corrêa Silva do IFMA, seria uma anestesia reflexiva. Então observe: Quando alguém pergunta: – no que você está pensando? De pronto respondemos: -em nada não. Talvez estejamos lembrando de algo vivido no passado, ou planejando o que fazer no outro dia. Mas, felicito-me em alertar que pensar é isso também, mas não é só. Esse verbo tão curtinho abrange tantas outras ações que dificilmente paramos para pensar em sua importância: pensar é: refletir, dialogar, ignorar, estudar, ler, conversar, amar, odiar e por aí vai… Agora, pensar com reflexão, pensar de verdade é outra história.

Você já deve ter ouvido a frase “dubito, ergo cogito, ergo sum” (eu duvido, logo penso, logo existo) de René Descartes (fundador do cartesianismo e do racionalismo), mencionado num artigo anterior sobre o positivismo, disponível  no link (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=823310221015395&set=a.220851417927948.69659.100000092740113&type=1&theater). Você existe porque pensa, duvida, questiona, senão, seria um vegetal, ora bolas. Então pense!

Pensar com qualidade é um exercício diário, cada um com suas particularidades, com seus meios de entendimentos, necessidades, buscas, retornos, desamores, existência como ser vivo. Pensar passa muito pela aprendizagem, pelas experiências que deixamos acontecer em nossas vidas.

Pensar o que já foi pensado não é pensar. Essa anestesia reflexiva precisa ser combatida com novos pensamentos. O pensar é, sobretudo, experimentar a vida através de construções e desconstruções de conceitos. Quando alguém me afirma que algo “é”, eu quero, e vou, analisar o conceito exposto em todos os seus aspectos, dou um 360 nele (lê-se três, meia zero, fica mais legal), e é claro que não vou te dar nenhum exemplo.

Para ajudar no exercício, sugiro que escolha temas do seu interesse para refletir: política local, religião, educação própria ou dos filhos, qualquer tema polêmico, dogmático. Não fuja dos temas, mergulhe. Selecione um conceito com o qual vive até hoje e comece a refletir sobre outras óticas de pensamento, que com certeza existem. Permita discordar por um instante daquilo que aprendeu ou lhe foi imposto. Leia algo e duvide, pense, afinal você existe.

Gosto muito de observar as crianças, elas pensam, até uns 10 ou 12 anos, livres de muitos conceitos anestésicos. Vejo que crianças descobrem soluções lógicas para problemas complexos, que em nossa primeira análise (anestesiada), estão errados: -não é assim que faz isso menino, tá errado, é assim “ó”. Mas, no fundo sabemos que o que foi feito está certo, só que, como ela chegou ao resultado de uma forma diferente da que sabemos, para nós, está errado, até pode estar, mas o interessante é tentar descobrir como e porque essa criança concluiu da forma que fez. Aí, mais uma vez: pense, reflita, exercite suas dúvidas, questione. Não acredite logo de cara no que vê ou lê. Recentemente aqui no estado uma mulher foi linchada e morta porque algum animal postou uma falsa notícia e um anestesiado desse, sem refletir, pensar e analisar a informação saiu para fazer justiça. Depois, quando alguém duvidou, questionou já era tarde.

Para Gilles Deleuze, e assim também entendo, o pensamento é forçado e não natural, não é apenas reconhecido, mas provocado por um encontro que desassossega o sujeito.

Então, se você não força o ato de pensar para que ele de fato ocorra, a bem da verdade, você não está pensando, só pensando que pensa.

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