Casagrande fez duas apostas promissoras, mas candidatos ‘amarelaram’ na hora H

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Luiz Paulo e Contarato, o primeiro por motivos políticos e o segundo por problemas pessoais, correram do páreo e deixaram o governador na mão. O jeito foi se virar com Neucimar.

15072014_casagrande_contarato_leoNem com uma bola de cristal nas mãos o governador Renato Casagrande seria capaz de prever, há algumas semanas, que suas duas apostas ao Senado seriam um tiro n’água.
O lugar cativo no seu palanque foi reservado, primeiramente, a Luiz Paulo Vellozo Lucas. O nome do tucano juntava a fome com a vontade de comer. Atraindo o PSDB para o seu palanque, o governador matava não só dois, mas três coelhos com um único golpe: fortalecia seu palanque; minava o de Paulo Hartung e, de quebra, saía de braços dados com um candidato com reais chances de vitória.
Um dos principais aliados do governador, o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS), que tinha motivos de sobra para se opor ao nome do tucano, pôs a reeleição de Casagrande na frente de suas diferenças políticas e se dispôs a compartilhar palanque com Luiz Paulo.
Mas Casagrande tinha uma pedra no seu caminho chamada César Colnago, o deputado federal e presidente do partido, que sempre foi fiel a Hartung, queria levar o PSDB para os braços do seu guru político. As costuras com o presidenciável tucano Aécio Neves avançaram, soterrando os sonhos de Luiz Paulo e de Casagrande de caminharem juntos. O arranjo de Hartung facilmente articulado por Colnago mostrou também que Luiz Paulo “amarelou” na hora de buscar forças para impor sua candidatura.
Casagrande, mesmo percebendo que o tucano lhe escapava das mãos, guardou a vaga de Luiz Paulo até o último momento, só desistiu do tucano quando o PMDB confirmou Colnago na vice de Hartung e a deputada federal Rose de Freitas para o Senado.
Após perder Luiz Paulo, Casagrande foi para o mercado atrás de um novo candidato. Iniciou uma intrincada negociação com o senador Magno Malta, dono do passe da sensação da disputa: o delegado Fabiano Contarato.
Quando o delegado de Delitos de Trânsito manifestou desejo de disputar as eleições deste ano causou um alvoroço no mercado político. Exceção feita ao PT, os principais partidos o disputaram com unhas e dentes, inclusive o PSB. Casagrande tinha, agora, uma segunda chance de trazer Contarato para seu palanque.
Próximo do apito final do Tribunal Superior Eleitoral para o registro das candidaturas, o nome de Contarato, nos descontos da prorrogação, era a chance de Casagrande marcar um gol e surpreender o palanque adversário.
Com potencial de reverberar os gritos das ruas, Contarato tinha tudo para surpreender os “candidatos profissionais”. Bastava para isso encaixar seu discurso nas demandas das ruas. Afinal, o eleitor, saturado com o “político clássico”, poderia personalizar este novo modelo de político rascunhado pelas ruas no estilo Contarato.
Mas o delegado “amarelou” na hora H. Disse para a opinião pública que a decisão foi de cunho pessoal. Independente do motivo, a renúncia representou novo revés para os planos de Casagrande. No curto espaço de tempo o governador viu escapar da suas mãos dos candidatos com reais chances de vitória.
Sem poder correr mais riscos, Casagrande fez uma escolha pragmática para substituir Contarato. Apostou em Neucimar Fraga, que soube esperar seu momento. A vaga ao Senado, que desde o início das movimentações políticas era um sonho do candidato do PV, caiu, quando Neucimar menos esperava, direto no seu colo. Bom para Neucimar, nem tanto para Casagrande, que agora tem um candidato parecido com os demais.
Malta também perde
Se Casagrande perdeu com a saída inesperada de Fabiano Contarato do páreo, outro que apostou alto e também deu com os burros n’água foi o senador Magno Malta. O republicano estendeu uma passadeira vermelha para receber Contarato no PR. Fez todos os “caprichos” do delegado para não perdê-lo, como a escolha dos suplentes, a qual o delegado não abriu mão.
Magno, que tem tino para identificar de longe um político com potencial de se transformar numa grande liderança, tinha certeza que estava trazendo para os quadros do PR uma aposta para fortalecer o partido, que com as saídas de Neucimar e do deputado estadual Vandinho Leite perdeu duas lideranças de peso.
Contarato, vislumbrava Malta, seria a possibilidade de iniciar o necessário processo de renovação no PR. O senador republicano deve ter percebido que para o partido crescer é preciso incubar novas lideranças. Acertou na estratégia, mas errou na escolha.
Fonte: Século Diário